
Lisboa 1982, fotografia de Ana C.
Estou vivendo de hora em hora, com muito temor.
Um dia me safarei - aos poucos me safarei, começarei um safári.
Ana C.
Aquele Outro não via minha muita amplidão
Nada lhe bastava. Nem ígneas cantigas.
E agora vã, te pareço soberba, magnífica
E fodes como quem morre a última conquista
E ardes como desejei arder de santidade.
(E há luz na tua carne e tu palpitas.)
Ah, por que me vejo vasta e inflexível
Desejando um desejo vizinhante
De uma Fome irada e obsessiva?
Hilda Hilst